Escritos do Cláudio
Não importa quem sou .Importante sim, de que me sujo.
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Textos
A SAGA DO FEIO

     -Puxa vida, você é mesmo feio.
     -Eu, feio? Quem te deu esse direito de me chamar assim?
     -A sua cara. Você é feio e pronto.
     -Que eu seja feio, e daí? O que você, que sequer me conhece, tem haver com isso?
     -Cara, você parece o Parigú, o personagem de um romance que eu li.
     -E aí cara, convergiu comigo na questão de ler romances.
     -Não cara. Eu sabia que você era nerd, além de feio. Eu não sou leitor de romance nenhum. Eu só li esse livro por que foi escrito por um cara daqui mesmo. Entendeu?
     -Como é o nome do autor?
     -Eu sei lá. Já me esqueci, agora passa logo que o pessoal aí atrás já está impaciente.
Entregou seu ingresso e entrou no cinema, já escuro. Ele gosta de Woody Allen.
     No dia seguinte não conseguia esquecer aquele nome: Parigú. Que personagem seria esse?
Dirigiu-se até a Biblioteca Municipal, pois havia se lembrado de uma seção somente de autores locais. Seria fácil achar. Não passava de quarenta livros.
     Pronto! Encontrou o livro intitulado "As Aventuras de Parigú". Pegou o livro emprestado e à noite dedicou-se duas horas à leitura do romance. Parigú era Paulo Ricardo Gusmão, o protagonista de uma história fantástica em uma floresta encantada, de aparência não tão bonita na ilustração.
     Buscou pelo nome do autor. Era João Nogueira e segundo os dados biográficos, morava em Mutum.
No dia seguinte, informou-se no serviço onde morava João Nogueira. E no sábado à tarde, foi até a casa dele.
Tocou a campainha e uma voz rouca gritou de dentro da casa.
     -Pode chegar.
     Entrou pela porta da sala e viu sentado no sofá, um senhor idoso com aparência de alguém com dificuldades de realizar suas atividades. Perguntou o senhor:
     -O que você está querendo, filho?
     Isso soou estranho diante da perplexidade do rapaz. A aparência do velho escritor era justamente igual a sua. Cara fina demais, testa larga demais, cabelos secos, óculos com graus elevados, peito magro e camisa desajeitada no corpo.
     -Foi o senhor que escreveu "As Aventuras de Parigú"?
     -Sim, foi o único livro que eu consegui publicar.
     Até o tom da voz era parecido com o seu. O rapaz se sentia como que diante de seu futuro. Um velho em um bairro pobre que tinha como único orgulho na vida ter publicado um livro.
     -E esse tal de Parigú? Por que esse personagem tão feio?
     -Eu queria que ele fosse parecido comigo, e agora vejo, que também com você. Quis provar que, nós, os feios, podemos ser protagonistas. Ainda que seja na ficção. Depende da intenção do autor. Parigú tem um coração grande, bondoso, puro. E somente com um coração assim, é capaz de enxergar as fadas na floresta.  Sabe meu jovem, eu, você e Parigú, temos algo especial dentro de nós. Não precisamos dos elogios interesseiros das pessoas. Precisamos apenas da nossa autoestima. Aprenda isso e será feliz.
     Deu uma tossida e continuou:
   -Eu tenho um pedido a te fazer, e eu estou há anos esperando por esse momento de fazer esse pedido para a pessoa certa. Escreva a sequência da história de Parigú. Tenho aqui as economias.
     Foi até a estante, abriu um livro e entre suas páginas pegou várias cédulas e contou.
     -Está aqui o dinheiro para você publicar. É só escrever. E somente alguém feio como você poderá dar continuidade em "As Aventuras de Parigú". 
     Esse foi um sábado mágico na vida do rapaz.
     Depois de cinco meses ele lançava o livro. No dia seguinte o velho escritor João Nogueira faleceu.
Cláudio Antonio Mendes
Enviado por Cláudio Antonio Mendes em 29/01/2016
Alterado em 04/12/2016
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